Entrevista - Filipe de Zannata Santos

Confraria das Idéias - Os contos "Rave" e "Vampiro" falam sobre outro personagem seu, Edward, mas se passam em duas épocas bem distintas. Fale mais sobre o personagem.
Filipe - Bem... Edward é algo interessante. Inicialmente comecei a escrever "Vampire" quando estava no segundo colegial. Digitei apenas a primeira página e deixei-a salva no computador por mais de dois anos, quando um belo dia me sentei e escrevi o resto da primeira parte da crônica. Ele é um personagem solitário e atormentado pelo passado, pelo presente e pelo futuro. Sem objetivos, ele ancora sua vida eterna nas pessoas que ama. Isso é o que acontece em "Vampiro". Já em "Rave" ele está um uma nova fase... Onde aqueles que ele amava se foram, e ele anda a esmo pelas ruas de Edinburgh. O que aconteceu, e como essa solidão evoluirá está em um conto que ainda estou escrevendo, chamado "Água Vermelha".

Confraria das Idéias - Tem previsão de conclusão?
Filipe - O que aconteceu entre "Vampiro" e "Rave" é importante, mas no momento estou meio sem saco para escrever...
Se eu forçar, fica uma meleca. A data de publicação ainda não pode ser fixada... Tenho muitos projetos caminhando ao mesmo tempo, e esse ainda está no começo.

Confraria das Idéias - Há algo de biográfico em seus personagens?
Filipe - Sim e não. (mais uma boa resposta). Eles refletem um momento da minha vida, com certeza... Uma fase que estou passando. Mas isso é diluído em toda a personalidade deles, então não dá muito na cara (espero...)

Confraria das Idéias - Quais são as semelhanças e diferenças entre Devin e Edward?
Filipe - Hum... Essa é difícil... Porque ambos vêm de pontos diferentes de mim... Além de os dois serem algo escoceses (dãããã), ambos são muito sentimentais (apesar de isso não se evidenciar nem um pouco no Devin que aparece nos lives). Devin, no entanto abrange um leque de emoções muito maior que Edward. Este último está acorrentado ao amor e à tristeza, à fúria e à fome... Por causa de sua condição... Devin é mais livre e maleável...

Confraria das Idéias - O RPG lhe influenciou de alguma forma na criação de seus textos? Como?
Filipe - Bem... Ele influenciou bastante... Na verdade foi a diferença entre os textos mais coxos e os textos menos coxos... Meu interesse por criar personagens e escrever sobre eles veio do RPG. Hoje em dia ele tomou rumos mais orientados para a escrita, mas o RPG foi definitivamente um marco...
Filipe - E é claro, eu continuo jogando.

Confraria das Idéias - Então você recomenda o RPG para outras pessoas?
Filipe - Agora e sempre. Acho que é um ótimo estímulo para os mais diversos pontos do pensamento, não só prático como abstrato... Mas recomendo o RPG bem jogado... Não qualquer forma...

Confraria das Idéias - Você acredita que o jogo pode influenciar negativamente o jogador?
Filipe -Não o jogo em si, mas a identificação com o "quadro do estereótipo do jogador de RPG" pode prejudicar a pessoa. Um RPGista sozinho é uma coisa, mas quando eles se juntam e começas a dar uma de babacas, achar legal pentelhar crente e outras coisas... Isso é um saco. São uma minoria, certo, mas em sua grande maioria os jogadores de RPG têm pequenas manias estranhas e inofensivas que podem ser incômodas (não perigosas!!!) se eles não tiverem maturidade.

Filipe -Em termos, sim. Essas manias (rodar espadas em encontros, fazer caretas para os crentes e outras coisas) são o equivalente RPGístico de coisas encontradas em todos os lugares. Torcidas organizadas fazem isso, grupos de encrenqueiros fazem isso em uma escala muito maior e mais perigosa, mas a sociedade está sempre enxergando o RPG como uma coisa má... E enquanto a sociedade não mudar sua visão, temos que dar o exemplo de que ela está errada.

Confraria das Idéias - Além da literatura, o RPG também lhe inspirou a praticar alguma outra atividade?
Filipe - Bem... Eu desenvolvi um grande interesse pela esgrima... Mas fora isso nada de novo... É claro que coisas como pirofagia sempre me interessaram e o RPG acentuou ainda mais meu interesse... E um amigo conhecido através do RPG me ensinou...

Confraria das Idéias - Nossas fontes nos disseram que você aprendeu a fazer Hidromel, uma bebida lendária...
Filipe - Nem tão lendária... Foi a primeira bebida feita pelo Homem, e hoje em dia é feita em muitos lugares, inclusive aqui no Brasil, mas é muito pouco divulgada. Eu apenas repeti a receita de um apicultor de Brasília... É claro que não é algo comum e teve uma repercussão maior do que eu esperava...

Confraria das Idéias - Deixando a modéstia de lado, você pretende produzir em escala comercial? (Nós queremos!)
Filipe - Estamos tentando melhorar a receita primeiro. Como disse, o Hidromel é produzido em diversas regiões e tive a oportunidade de prová-lo na Bretanha, durante uma viagem... O nosso ainda tem muito a melhorar... Mas estamos nos preparando para fazer uma segunda leva nos próximos quinze dias, de 15 litros dessa vez...
Confraria das Idéias - Oba!

continua