




Um
Ensaio sobre o RPG |
Confrade
Godoy |
Definir
o RPG tem sido uma tentativa sem sucesso por muitas vezes aos quais
se arriscaram nesta empreitada, sendo eles estudiosos, professores e
até os próprios praticantes (jogadores). Mesmo a sigla
pouco nos remete à amplitude de sua verdadeira significância:
"Role Playing Game", que na nossa língua foi adaptado
para "Jogo de Interpretação". Mas RPG se trata
apenas de "brincar de interpretar"? Não exatamente.
Pois um jogo qualquer pode ou não ser considerado brincadeira
- em alguns casos transforma-se em profissão. Além do
mais, RPG não se trata apenas de interpretação,
envolve criação, redação, interlocução,
pesquisa, ..., e uma gama quase infinita de elementos. Ele é,
ao mesmo tempo, o TUDO e o NADA. "TUDO" por manifestar tantas
formas de expressão e linguagens, por abrigar diversos campos
de idéias e por desenvolver percepções múltiplas,
ações, socialização, etc; Porém,
ele também compreende o "NADA", porque quase nada nele
é autêntico e original: desde a sua dinâmica que
tem relação com teatro de improviso e técnicas
de contações de histórias, até a pura relação
com as brincadeiras infantis. Sim, o RPG se trata de adultos brincando
como crianças. E é nesse contexto de "pureza"
que a abundância criativa entra em ebulição. Podemos
dizer que talvez a única coisa realmente original no RPG é
a sua proposta. O seu "existir" depende apenas de pessoas
que se propõem a imergir em um universo de sonhos e imaginação,
usando desde técnicas avançadas de teatro a mais pura
brincadeira de criança, pois o espírito infantil possibilita
todas as coisas e rege um universo com significativa redução
de preconceitos limitadores para a diversão. Jogar RPG é
partilhar sua imaginação com outros, é expor anseios
e trocar conhecimentos, sendo também uma busca. Uma busca por
seu próprio "eu", por afirmações, por
alívios, e por justiças. Um universo onde o enigma e a
aventura tem destaque e sabor constante, que ajuda e treina nossas mentes
a decifrar os códigos da vida, da mente, da sociedade e de nós
mesmos. |