"É comum ver os homens zombarem daquilo que não podem compreender"

Mais uma vez nos vemos frente a frente com algo que tem mais a ver com falta de informação e problemas sociais do que propriamente com o encontro da solução de um problema. Nesta semana foi para a mídia a notícia do assassinato da garota Aline em Ouro Preto, Minas Gerais. Como sempre as pessoas procuram as

soluções mais simplistas para os problemas que não podem resolver e principalmente se houverem circunstâncias as quais elas, a primeira vista, não podem compreender.
Entre aqueles que investigam o caso e também a própria mídia, o primeiro culpado do fato não foi nenhuma pessoa. Foi, da maneira como foi divulgado, o jogo conhecido como RPG. Segundo as informações que vieram ao grande público, o assassino teria usado as regras do jogo que, em uma das declarações de um dos investigadores, o perdedor teria de morrer ao final do jogo. Essa declaração é por si só absurda, já que todos aquelas que jogam RPG, ou que já tiveram algum contato com o jogo, sabem que a grande premissa é o desenvolvimento do espírito de grupo e a convivência entre as pessoas e não da disputa entre as mesmas.
Como já foi dito em algumas declarações, o tal "Anjo da Morte" pode ter se utilizado do jogo como uma maneira de atrair a vítima e até ter se inspirado em alguns cenários ou circunstancias, mas de maneira alguma o jogo teria causado um desequilíbrio que o faria cometer tal ato. O desequilíbrio existe de fato, mas é algo existente na psique da pessoa que se intitula "Anjo da Morte". Isso que vemos já não é novidade para ninguém, já que a diversos casos parecidos em a mídia e autoridades tentar criar um bode expiatório, que comumente é a música, mais especificamente o rock, ultimamente os filmes de ação e terror e agora o RPG. Para quem se lembra, houve o caso dos garotos que explodiram uma bomba no colégio em que estudavam e que era dito que a culpa seria da música que eles escutavam e do filme Matrix. Sinceramente, eu assisti Matrix principalmente por isso e não vi nada demais, pelo contrário, por trás de sua roupagem de filme de ação, ele possuía uma trama bem engendrada e uma severa crítica a sociedade atual. Mas nada que me fizesse pegar em armas e sair atirando por aí, como também no caso do rapaz que entrou em um cinema armado com uma metralhadora, aqui no Brasil. É errada essa tentativa de fazer do RPG um vilão de crimes e desajustes sociais que apenas se mascaram por trás de um hobby saudável. O verdadeiro erro está na sociedade e em seus meios de massificação e aniquilamento do indivíduo como pessoa pensante e única, transformando a todos em objetos numerados (ver Another brick the Wall) e marginalizando aqueles que são contrários. Não devemos deixar que isso aconteça. Devemos fazer uma melhor divulgação daquilo que é o RPG e quais as suas qualidades que, como sabemos, estimula a leitura, o companheirismo e é usado inclusive em grandes empresas com um método avançado de treinamento e escolha de funcionários. Devemos tentar abrir espaço na mídia para que tenhamos ao menos o direito de resposta assegurado, já que o RPG é mal visto por alguns que nem ao menos tiveram a curiosidade de tentar conhece-lo e existem várias pessoas que ainda não ouviram falar e que com certeza gostariam de jogar. Com toda essa história, algo me passou pela cabeça. Sendo jogador de RPG, ouço rock e gosto de filmes de ação, eu provalvemente sou o próximo serial-killer em potencial...

Confrade Renault

 

Joahann Wolfgang von Goethe
Rogério de Moraes, 30 anos:

Nem tanto ao mar, nem tanto à terra. É indiscutível que o
universo RPG é extremamente mal compreendido pela maior parte da sociedade. Culpa de quem? Deixo a pergunta para a consciência de cada um.

Também sabemos que parte dos jogadores desse fascinante universo são pessoas que a sociedade convencionou chamar de desajustados. Não necessariamente com a conotação que o termo trás dos anos 60, mas como um modo de rotular aqueles que não se "encaixam perfeitamente" (e quem se encaixa?). E também sabemos que muitos desses "tais desajustados" utilizam
o RPG não só como uma fuga da realidade (na qual não se ajustam), mas também, e principalmente, como uma viagem para uma "realidade" na qual se adequam perfeitamente, já que grande parte dessa realidade foi por eles criada. Sem dúvida que esse tipo de fenômeno dentro do RPG é uma excessão, embora mais comum do que pensamos ou notamos. Mas é um fato, um elemento que deve sempre fazer parte da equação. Mas este não é, ainda, o cerne da questão.

Vivemos em uma sociedade violenta, que nos agride por todos os canais possíveis, sejam canais de mídia ou canais da sociedade, como costumo dizer. Tudo isso, fruto de uma cultura moderna, baseada no individualismo e na falsa-estética. Resultado de nossa falta de rumo, seja como indivíduos, seja como nação, seja como humanidade. E todos nós, individualmente e coletivamente, formamos a soma de todo esse caos, com nosos atos, pensamentos e perspectivas. E o que formamos, afinal?
Violência. Objetiva ou subjetiva, explícita ou subentendia, expontânea ou inconsciente. Infelizmente, tem sido esse o resultado mais comum dessa equação. Mas isso, naturalmente, tende a mudar, ao contrário do que pensam o pessimistas. É uma questão de tempo, aprendizado e evolução. Tudo isso, naturalmente. Tal é a lei.

Afirmo assim, que não existem os tais bode-expiatórios que tentam nos impor, nos fazer crer. Não existe uma personificação da violência, seja na TV, no ciema, nos jornais, no trânsito ou no RPG. Não é cabível, tampouco sustentável, qualquer tentativa de culpar ou responsabilizar qualquer um desses elementos isoladamente, por um ato de violência também isolado. Por
mais que esse ato esteja intrinsecamente relacionado com qualquer um desses elementos - seja a TV, o RPG, ou qualquer outro - , ele não se justifica somente por esse elemento. O ato será, antes de tudo, obra de uma mente distorcia e fraca, desde sempre predisposta a sofrer e se influenciar pelos efeitos nocivos da violência, com a qual é bombardeada por todos os canais (da mídia e da sociedade), desde a infância. O que também não isenta os elementos - TV, Cinema, RPG e outros - de sua percela
de responsabilidade.
Portanto, torna-se incabível responsabilizar o RPG, unica e
exclusivamente, pelo fatos ocorrido em Minas Gerais. Cabe agora, a toda a comunidade do RPG assumir sua responsabilidade ao divulgar, expor, explicar e representar o que é RPG. Para minimizar as distorções possíveis e esclarecer à sociedade sobre os benefícios que a prática de RPG, quando sudavelmente praticado, podem trazer.
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Leandro Sousa Lopes, 15 anos:
Eu acho o que acontece é o seguinte; Todos nós desde pequenos crescemos ouvindo várias coisas sobre o cristianismo e quando crescemos e simplesmenyte nos deparamos com algo que vai contra nossos costumes e crenças, começamos a fazer inúmeras suposições, sobre o que realmente não
entendemos. Eu não tenho nada contra as religiões em gerais m, mais se agente parar para pensar a maioria das pessoas que possuem preconceito contra o RPG se baseia em religiões, de diversos tipos, para basear o seu preconceito.
As pessoas tem que saber que qualquer um que possuí a mente fraca pode se deixar levar por qualquer coisa que vê pela frente, seja ela um jogo de RPG ou não.
 
Raul Tabajara V., 21 anos:
É fato que o RPG é difamado pela simples ignorância do que ele
é. Infelizmente temos que aceitar isso, e não entendam como uma submissão, mas quanto menos falarmos sobre o ocorrido melhor. Sei que escrevendo isso estou inflingindo o meu próprio conselho, mas vejam os fatos: nesses próprios comentários lí que "quantas pessoas já morreram num baile funk e nunca proibiram". Analisem isso: por acaso os "funqueiros" estão fazendo esse alvoroço que os RPGistas fizeram?
Isso só da margem para aquela estúpida pergunda dos próprios ignorantes que querem acabar com o RPG "Se tudo não passa de um mal entendido, por que vocês estão tão espinhados?..."
É uma estupidez, mas é verdade...
vamos jogar, fazer convenções, mas vamos apresentar como "Um jogo legal" e não como "não é o que eles dizem".
 
"Pigmeu", 20 anos:
Quantas pessoas morrem em bailes funk e em jogos de futebol, mas por acaso eles querem proibir essas atividades? O "mau" do RPG é q ele é cultura, e incentiva as pessoas a aprenderem pensar e contestar toda essa podridão q é hoje o nosso país.
 
Imyra "Mi-chan" M. M. de Souza, 18 anos:
Lamentável o que a falta de informações fazem com a maioria
das pessoas. Como RPGista já fui vítima de preconceito e sorte a minha que não levo à sério. Isso magoa? Claro. Principalmente quando vem de pessoas que você considera amigos. Concordo que as pessoas zombam daquilo que não compreendem. Mas além disso julgam culpados sem evidências ou provas. E ultimamente, a única coisa que podemos fazer por enquanto é lamentar. Porque fazer as pessoas mudar demooora.
 
Fabiano M. Sanches, 27 anos:
O RPG existe no Brasil há pelo menos 13 anos sem que houvesse qq tipo de incidente mais grave e só por que agora um maluco cometeu um crime vão querer proibir o jogo? Era só o que faltava, só pode ser
piada...
 
Fabiana, 16 anos, escreveu:
O RPG não tem vencedores ou perdedores. Quem joga sempre sai
ganhando. Nunca pensei que um dia sofreria preconceito por jogar. Nosso maior inimigo é a ignorância das pessoas e até dos jornalistas sobre o assunto. Vamos combater com conhecimento e com Manifestações como a que ocorrerá na Av. Paulista próxima sexta-feira as 15:00 em frente ao Masp.