





Mas nesse
momento é preciso parar por um instante e observar que manipulador
e manipulado possuem parcelas proporcionais de culpa, tanto quanto os neutros.
Uns se aproveitam da falta de cultura da massa para chegar a seus objetivos,
outros, anestesiados com a rotina, sequer percebem a manobra para poder analisar,
quanto mais reagir. E existem também aqueles que estão prontos
para criticar a situação, mas perdem tanto tempo em seus discursos
que não sobra nada para a ação. Uma pergunta vem à
tona: como mudar este panorama? Respostas complexas serão formatadas,
umas com muita ideologia e outras com doses de ingenuidade maciças.
Fórmulas engenhosas são formadas, porém a simplicidade
pede licença para responder à tantas indagações.
Trata-se de uma visão que foca a diversidade cultural como modificador
e difusor de idéias. Tornando mais claro, diversificar o conhecimento
de um indivíduo lhe traria clareza e versatilidade suficientes para
que este possa transformar o contexto em que vive. Nesta hora, muita calma.
Ninguém precisa ser uma biblioteca ambulante. Porém o simples
fato de conhecer e entender outras culturas e formas de pensamento pode contribuir
para o indivíduo certificar-se do que tem como verdade ou rejeitar
seu conteúdo para absorver novos conceitos. Em uma terceira possibilidade,
ele pode contrair novos elementos, somando aos que já possui.
Não é novidade que o conhecimento traz auto-estima, dinamismo,
velocidade de raciocínio, melhorias no convívio social e menor
dependência do sistema e da moda em geral. Então por quê
tanta relutância em aprender novas linguagens? O ser humano, normalmente,
teme aquilo que não conhece e, muitas vezes, aventurar-se na possibilidade
de chocar-se contra aquilo que conhece pode ser muito assustador, mas a experiência
mostrou na prática que assim que ele percebe que aquele "mundinho"
que conhecia era apenas uma simples redoma de mitos cercada de uma infinita
gama de novas formas e prismas variados de intelectualidade e diversão,
ele passa a aceitar as mudanças e perpetrar seus horizontes.
Neste universo, surgem agentes que, individualmente ou coletivamente, passam
a difundir o conhecimento, deixando para que cada ser "atingido"
escolha o uso que vai dar para as novas informações (incluir,
assumir ou ignorar). Um sujeito que só ouve música eletrônica
pode passar a ouvir apenas música clássica, incluir as inflexões
da música erudita em seus samples ou então esquecer
a música clássica, tendo certeza de que o que gosta mesmo é
de música eletrônica, por exemplo. Há ainda aqueles que,
ao entrar em contato com o novo universo, despertam para a realidade da diversidade
cultural existente no globo (muitas vezes perfeitamente perceptível
em nosso próprio bairro), e torna-se um agente, sendo veículo
talvez não daquelas informações que recebeu, mas de novas
que venha a pesquisar e absorver, simplesmente porque compreendeu a importância
da pluralidade e de levá-la à outras pessoas.
* é dentro deste conceito que a Confraria procura sempre trazer assuntos variados e conhecimentos diversos, principalmente por meio do RPG, excelente meio difusor, democrático e social.