Qual a validade de nossos atos e o que realmente faz com que a vida valha a pena?
É realmente o Homem superior ao resto dos seres vivos ou pelo contrário perde seu tempo procurando por uma imensidade que não consegue alcançar?

Evolutivamente, poder-se-ia dizer que o homem, pela sua capacidade de transmitir cultura através dos determinados meios de comunicação, é um ente superior, mas... na essência das coisas e no que podemos chamar fisiologicamente, o homem cumpre a mesma função que todos os demais seres evoluídos do planeta que, por compartilhar o mesmo espaço que os mesmos, no mesmo instante, (leia-se idade terrestre) estão em um mesmo nível evolutivo. A única diferença neste processo, é que o homem sempre foi mais além, não se conformou com estar contente por ter comida, bebida e lugar onde ficar confortável. Este estado de “confortabilidade”, lentamente foi fazendo crescer a população e incrementando o nível de pressão sobre os indivíduos que nessa sociedade moravam, provocando, portanto, um aumento do desconforto, que o obrigava a procurar um novo ecossistema. Até aqui o processo não se diferencia em nada do processo que acontece com outras populações que habitam a terra.

A diferença chega quando o homem conquista um meio, não só se adapta a ele e adapta o meio a si mesmo, senão, que a partir deste meio tenta sempre conquistar meios mais hostis. Nas descobertas que o homem tem feito parece que ele está certo, mais quando a ciência vai tendo caminhos abertos devido ao grande passo que a tecnologia, cada vez mais desenvolvida, lhe vai proporcionando, descobre que aquelas coisas que tinha como absolutas não são mais que um mero artefato que obstrui o caminho da verdade. Podemos pôr como exemplo o átomo, aquela partícula indivisível que era a essência da matéria e que com o tempo descobriu-se o grande vácuo do qual ele é composto, ou também podemos olhar para o Universo e ver como suas dimensões são eternamente crescentes e quanto mais conhecemos mais percebemos que somos somente um nada no mar do infinito.
Com este grande descobrir e não descobrir, o homem sente-se perdido na imensidão, parecendo, por um lado, que nada nos separa dos demais seres que habitam no nosso entorno e que o homem não é muita coisa no Universo, igual a eles, mas por outro lado, existe uma enorme diferença que nos separa e nos faz únicos, a nossa capacidade de perguntar o Por quê das coisas sem ficar em um primeiro estágio enganador como acontece com o resto dos seres que habitam nosso planeta (não ponho nesta questão perguntas ou dúvidas sobre a existência ou não de outras entidades vivas no resto do Universo). Pode ser que não tenhamos a verdade absoluta, mas só a procura dela é o que faz que a vida valha a pena e que a imensidade que nos rodeia deixe de ser tão imensa quando conseguimos pequenas metas de verdade que nos acercam da verdade absoluta.
 
Comentário de Cesar Ottani idade: 20
sexo: Masculino 11-10-2001

Desde o nascimento da conciência humana sobre a existência se faz essa pergunta. Por que existimos? Pra que? Para onde vamos depois? Foram criados diversos mecanismos para tal. Uns usam a religião, outros o sucesso, outros ainda o amor, etc. Uma resposta para essa pergunta: E precisa de sentido? Não seria um tanto frágil crer em coisas que não se pode ter certeza absoluta? Essas rédeas são mesmo necessárias? É preciso algo que nos dê sentido? Diziam os franceses: "Se Deus não existisse teríamos de cria-lo." Sim, infelizmente são necessárias por enquanto para guiar o seu caminho e o dos outros a nosso lado para não termos medo destes. Imagine se, quando vc morre-se, fosse o fim de tudo, que nada do que você fez será levado consigo, que Deus, fantasmas e etc não passassem realmente de criação nossa. Você não teria tempo de pensar claro, acabou, vc morreu e não existe vida depois, mas viva com isso agora. Sabendo que cada dia que você vive não significará nada na sua hora final, que não adianta ser "bonzinho" (pois todos vão cair no mesmo vazio), que essa vez é a última e depois acabou. O que você faria? A maior parte perderia o controle ao acreditar nisso, como um animal sem rédeas e sem destino, seguiria enlouquecido por vezes colidindo com outros.

"O ser humano é mal, nasce mal, mas quem o transforma é o meio e sua criação." - Kafka (não lembro ao certo)

Por isso e por muito mais o ser humano precisa de apoio, mesmo que falso, imaginário e inventivo, precisamos de algo que nos controle, pois ele não consegue enxergar que a vida está aí para ser vivida e não precisa de causa ou por quê. Não precisamos de arreios e cabrestos para viver, não precisamos de limitações. Pois quem dá sentido é a própria existência.