Então seus alunos são jogadores de RPG? Acompanhe matéria sobre comportamento, literatura, gírias e o que fazer em momentos de "falhas críticas".

Acalme-se! Antes de tudo é preciso enfatizar um ponto importante e que não pode sair de vista: o jovem que joga RPG, ou RPGista como se auto-intitula, é um jovem como outro qualquer, repleto de dúvidas, verdades, busca por auto-afirmação, identidade e - como não poderia deixar de ser - ansioso por encontrar seu caminho, seu lugar no mundo. Com efeito ele pode manifestar comportamentos que as vezes nem mesmo outros jovens entendem de início. Claro, cada caso sempre deve ser estudado individualmente, mas existem certas coisas em comum fáceis de serem observadas. Como surfistas, patrícinhas, roqueiros, eles possuem suas próprias gírias e "regras", falam sobre personagens e aventuras, andam em grupos (quando o jogador é solitário em sala de aula é porque seu grupo não frequenta a mesma escola ou ele ainda está entrando em contato com o RPG, porque este é um jogo social e não pode acontecer com um único indivíduo), carregam diversos livros, muitas vezes acabam desenhando bastante (para expressar algum personagem ou mundo pelo qual joga ou se interessa), etc.
Alguns, menos avisados, insistem em dizer que os RPGistas possuem uma característica agressiva e até obscura. É preciso entender que eles começam a se identificar com os personagens com que jogam, tal qual um fã procura se vestir como um ator ou cantor de que goste. Com o RPG não é diferente. Claro, existem diversos tipos de jogos, uns de ação, outros de ficção e muitos de terror. A variedade de assuntos disperta euforia nos jogadores. A nossa dica principal é para que não se intimide com o jogo, imagem, e até pelo linguajar que usam. E sim, converse bastante com os jogadores. Deixe que eles contem um pouco sobre suas aventuras e jogos preferidos, você irá descobrir diversas coisas sobre seus alunos: fraquezas, gostos pessoais e até propósitos e objetivos.

Abaixo, alguns toques de mestre:

  • Conversar bastante com eles;
  • Com o tempo, experimente sugerir alguns elementos para os jogos deles, coisas que abram o campo de visão dos jogadores e os façam perceber novos prismas além dos livros que costumam consultar.
  • Dar bons exemplos de filmes, óperas, peças de teatro, ou simplesmente sugerir jogos em cenários diferentes daqueles que você já percebeu que eles praticam é um ótimo caminho.
  • Experimente jogar uma partida com eles. Sugira algo rápido, talvez no intervalo de uma aula e outra.
  • Dê uma boa olhada nos livros de RPG que eles jogam. Perceberá que se trata de um jogo sadio e com histórias bastante complexas. Algumas literaturas são mais leves, outras mais pesadas, mas são exatamente o que elas são: livros-jogos com diversos temas.

Não fique preocupado por não entender muitas das gírias que eles usam. Alguns termos são em inglês porque muitos livros de RPG não são traduzidos para o português e os RPGistas acabam se virando traduzindo os importados, e acabam incorporando alguns verbetes.
Na seção Dicionário do nosso site você encontra os verbertes e seus significados.
Outro ponto importante é entender que tudo não passa de uma brincadeira. Sua atenção é importante, pois se perceber algum desvio de personalidade (como em todas as coisas em que se extrapole, no RPG pessoas muito "bitoladas" podem começar a se comportar demais como seu personagem no mundo real, numa tentativa de encontrar a própria identidade e auto-afirmação e esconder os próprios problemas) deverá ajudar o jovem a "desligar" seu personagem nos momentos em que não está jogando. Se você tiver a confiança dos jovens poderá ajudar à todos para que o jogo continue uma brincadeira sadia.
O RPG incentiva a pesquisa e a leitura de elementos distintos. Se você conseguir captar os temas em que os jovens gostam de jogar poderá sugerir pesquisas e fontes de conteúdo e informação que irá ajudá-los e fazer com que aprendam diversas coisas novas.
Por último: converse com os pais. Muitos tem diversas boas histórias para contar sobre coisas que o RPG ajudou-os a conquistar. Uns podem ainda estarem assustados com o jogo de interpretação, tranquilize-os: quando o jogador está em boa harmonia familiar e ainda com os professores, a tendência para que ele absorva os inúmeros benefícios e evolua são bem maiores. Pratique o jogo saudável!

Ah! Praticar esportes nunca deve ficar de lado!!


Confrade Godoy



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